quarta-feira, 10 de Março de 2010

Banda Desenhada
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José Ruy Pinto nasceu na Amadora em 9 de Maio de 1930 e a sua tendência, cedo revelada, para o desenho concretizou-se quando, em 1941, entrou para a escola António Arroio, para cursar habilitação a Belas Artes. Ao atingir o 3° ano optou, com as equivalências correspondentes, pelo curso de desenhador litográfico, assim penetrando no mundo das artes gráficas, de onde nunca mais saiu.

Em 1944, conheceu mestre Rodrigues Alves, grande artista e profundo estudioso da banda desenhada, que o incentivou nessa arte. Depois o contacto com Eduardo Teixeira Coelho,prestigioso colaborador de " O Mosquito", foi o começo de uma longa camaradagem e o arranque decisivo para a preparação artística indispensável à especialização da banda desenhada, através de " croquis " directos do natural, sobretudo de animais, plantas e figura humana.

Nos intervalos entre as aulas de oficinas gráficas, pintura litográfica e publicidade, José Ruy desenhava exaustivamente cavalos na escola do exército, estudando toda a coreografia do seu movimento na corrida e nos saltos.

Acompanhado por José Garcez, visitava quase diariamente o jardim botânico para observar as variedades de árvores e plantas aí existentes, num trabalho incessante e apaixonado que se prolongava, por vezes, até ao pôr do sol.

No Natal de 1944, começou a colaborar no ‘Papagaio’, onde além da ilustração de contos, fez as suas primeiras histórias de banda desenhada. Em 1947, colaborou no Cortejo Histórico com E. T. Coelho e Domingos Saraiva, sob a direcção de Leitão de Barros, e, findo esse trabalho ingressou na equipa de 'O Mosquito’, tendo a seu cargo o desenho de legendas e a execução das cores nas chapas de impressão. Nos tempos livres, continuava a desenhar ao ar livre e a fazer histórias para o "papagaio", mais tarde transformado num suplemento da revista "Flama". Pertence a essa época uma notável série de "Lendas Japonesas ".

 Em 1952, publicou finalmente a sua primeira banda desenhada no "Mosquito", berço de quase todos os desenhadores portugueses dos anos 40. Mas " 0 Mosquito" tinha os seus dias contados. José Ruy foi trabalhar em rotogravura para a Empresa Nacional de Publicidade, editora de “o Cavaleiro Andante ", uma revista que alcançou larga audiência na época, sob a direcção de Adolfo Simões Muller. Foi no Cavaleiro Andante "que José Ruy conheceu um dos pontos mais altos da sua actividade artística, embora toda a colaboração em banda desenhada fosse executada em longos serões, num esforço voluntário de realização de um desejo pessoal. Esforço que valeu a pena, pois assim nasceram histórias que hoje são autênticos clássicos de banda desenhada portuguesa, como Ubirajara, A Mensagem, Gutenberg, 0 Bobo e Peregrinação, onde deu largas à sua paixão pelos animais, os temas históricos e as paisagens do exótico Oriente, onde esteve em 1981.

Em 1960, editou uma segunda série de " O Mosquito", que pouco tempo durou. Depois, entre vária colaboração dispersa -ilustração de livros escolares, filmes de projecção fixa, pranchas educativas e de carácter publicitário -veio um trabalho: as pranchas do A B C Criminal, publicadas no " Século Ilustrado " e na revista " Crime”, com textos de Artur Varatojo.

Em 1972, em colaboração com Paulo Madeira Rodrigues, criou a série Lusitanos (Aventura de Quatro Lusitanos e uma Porca), que o jornal, A Capital, inseriu durante 6 meses.

Até 1979, a maior parte do seu tempo profissional foi ocupado a fazer capas e ilustrações para livros. Mas o sonho da banda desenhada persistia. E assim surgiu, nas páginas da edição portuguesa do " Spirou" -uma história de «longa metragem» inspirada num tema grato a José Ruy : A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin.

Ultimamente, depois de ter abandonado a figura do Repórter Click, criada para o «Tintin», viu reeditada em álbum a sua magnífica Peregrinação e Ubirajara, acompanhada de mais três histórias, numa colecção de antologia.

 Mas um dos acontecimentos mais importantes da sua carreira verificou-se no Natal de 1978, quando a Cruz Vermelha Portuguesa e a R.T.P, com a colaboração de Fialho Gouveia, Carlos Cruz e Raul Solnado, organizaram a célebre "Operação Pirâmide ". José Ruy, num belo gesto de solidariedade que iria ter repercussões profundas, resolveu contribuir, à sua maneira, com uma banda desenhada cujos direitos (e originais) reverteriam para a Cruz Vermelha. Essa história, dedicada a Henry Dunant, fundador da organização, chegou ao conhecimento da Cruz Vermelha Internacional em Genéve, cujos responsáveis viram em José Ruy o artista talhado para uma obra de grande envergadura como a de contar ao mundo inteiro, através de um meio de comunicação tão popular como a banda desenhada, a história da Cruz Vermelha, explicando ao mesmo tempo, as suas múltiplas actividades em caso, de conflito armado ou de catástrofe natural. Assim nasceu o projecto para um álbum, estando já publicado um opúsculo em dez línguas e distribuído por 150 países, tanto do Ocidente como do Oriente e Terceiro Mundo, ultrapassando 500.000 exemplares.

 Para além dos já referidos, seguem-se, também em livro os seus mais recentes trabalhos: Os Lusíadas (3 vols), Os Autos das Barcas, Auto da Índia e Farsa de Inês Pereira, O Bobo, com textos adaptados dos nossos clássicos.

 Com guião seu saíram: A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin, Jorge Dimitrov Herói Internacionalista, História de Macau (que existe também traduzida em chinês), Levem-me nesse sonho, (história da cidade da Amadora), Viva a Republica e Homens sem alma, bem como os restantes títulos que tem como herói “Porto Bomvento”, com 8 volumes já publicados. Assinou ainda os álbuns: Como Apareceu o Medo, texto de Rudyar Kipling, Alves dos Reis, Uma burla à portuguesa e ilustrou o Rio Douro e História dos Barcos Portugueses.

 Durante 3 anos ministrou cursos de banda desenhada em Lisboa.

 É um pesquisador insatisfeito de temas e motivos para o seu trabalho o que o tem levado a percorrer meio mundo, além de Portugal continental e ilhas.

Tem o seu trabalho traduzido em diversas línguas.

 

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