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Wednesday, March 10, 2010
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José Ruy Pinto nasceu na Amadora em 9 de Maio de 1930 e a sua tendência, cedo revelada, para o desenho concretizou-se quando, em 1941, entrou para a escola António Arroio, para cursar habilitação a Belas Artes. Ao atingir o 3° ano optou, com as equivalências correspondentes, pelo curso de desenhador litográfico, assim penetrando no mundo das artes gráficas, de onde nunca mais saiu.
Em 1944, conheceu mestre Rodrigues Alves, grande artista e profundo estudioso da banda desenhada, que o incentivou nessa arte. Depois o contacto com Eduardo Teixeira Coelho,prestigioso colaborador de " O Mosquito", foi o começo de uma longa camaradagem e o arranque decisivo para a preparação artística indispensável à especialização da banda desenhada, através de " croquis " directos do natural, sobretudo de animais, plantas e figura humana.
Nos intervalos entre as aulas de oficinas gráficas, pintura litográfica e publicidade, José Ruy desenhava exaustivamente cavalos na escola do exército, estudando toda a coreografia do seu movimento na corrida e nos saltos.
Acompanhado por José Garcez, visitava quase diariamente o jardim botânico para observar as variedades de árvores e plantas aí existentes, num trabalho incessante e apaixonado que se prolongava, por vezes, até ao pôr do sol.
No Natal de 1944, começou a colaborar no ‘Papagaio’, onde além da ilustração de contos, fez as suas primeiras histórias de banda desenhada. Em 1947, colaborou no Cortejo Histórico com E. T. Coelho e Domingos Saraiva, sob a direcção de Leitão de Barros, e, findo esse trabalho ingressou na equipa de 'O Mosquito’, tendo a seu cargo o desenho de legendas e a execução das cores nas chapas de impressão. Nos tempos livres, continuava a desenhar ao ar livre e a fazer histórias para o "papagaio", mais tarde transformado num suplemento da revista "Flama". Pertence a essa época uma notável série de "Lendas Japonesas ".
Em 1952, publicou finalmente a sua primeira banda desenhada no "Mosquito", berço de quase todos os desenhadores portugueses dos anos 40. Mas " 0 Mosquito" tinha os seus dias contados. José Ruy foi trabalhar em rotogravura para a Empresa Nacional de Publicidade, editora de “o Cavaleiro Andante ", uma revista que alcançou larga audiência na época, sob a direcção de Adolfo Simões Muller. Foi no Cavaleiro Andante "que José Ruy conheceu um dos pontos mais altos da sua actividade artística, embora toda a colaboração em banda desenhada fosse executada em longos serões, num esforço voluntário de realização de um desejo pessoal. Esforço que valeu a pena, pois assim nasceram histórias que hoje são autênticos clássicos de banda desenhada portuguesa, como Ubirajara, A Mensagem, Gutenberg, 0 Bobo e Peregrinação, onde deu largas à sua paixão pelos animais, os temas históricos e as paisagens do exótico Oriente, onde esteve em 1981.
Em 1960, editou uma segunda série de " O Mosquito", que pouco tempo durou. Depois, entre vária colaboração dispersa -ilustração de livros escolares, filmes de projecção fixa, pranchas educativas e de carácter publicitário -veio um trabalho: as pranchas do A B C Criminal, publicadas no " Século Ilustrado " e na revista " Crime”, com textos de Artur Varatojo.
Em 1972, em colaboração com Paulo Madeira Rodrigues, criou a série Lusitanos (Aventura de Quatro Lusitanos e uma Porca), que o jornal, A Capital, inseriu durante 6 meses.
Até 1979, a maior parte do seu tempo profissional foi ocupado a fazer capas e ilustrações para livros. Mas o sonho da banda desenhada persistia. E assim surgiu, nas páginas da edição portuguesa do " Spirou" -uma história de «longa metragem» inspirada num tema grato a José Ruy : A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin.
Ultimamente, depois de ter abandonado a figura do Repórter Click, criada para o «Tintin», viu reeditada em álbum a sua magnífica Peregrinação e Ubirajara, acompanhada de mais três histórias, numa colecção de antologia.
Mas um dos acontecimentos mais importantes da sua carreira verificou-se no Natal de 1978, quando a Cruz Vermelha Portuguesa e a R.T.P, com a colaboração de Fialho Gouveia, Carlos Cruz e Raul Solnado, organizaram a célebre "Operação Pirâmide ". José Ruy, num belo gesto de solidariedade que iria ter repercussões profundas, resolveu contribuir, à sua maneira, com uma banda desenhada cujos direitos (e originais) reverteriam para a Cruz Vermelha. Essa história, dedicada a Henry Dunant, fundador da organização, chegou ao conhecimento da Cruz Vermelha Internacional em Genéve, cujos responsáveis viram em José Ruy o artista talhado para uma obra de grande envergadura como a de contar ao mundo inteiro, através de um meio de comunicação tão popular como a banda desenhada, a história da Cruz Vermelha, explicando ao mesmo tempo, as suas múltiplas actividades em caso, de conflito armado ou de catástrofe natural. Assim nasceu o projecto para um álbum, estando já publicado um opúsculo em dez línguas e distribuído por 150 países, tanto do Ocidente como do Oriente e Terceiro Mundo, ultrapassando 500.000 exemplares.
Para além dos já referidos, seguem-se, também em livro os seus mais recentes trabalhos: Os Lusíadas (3 vols), Os Autos das Barcas, Auto da Índia e Farsa de Inês Pereira, O Bobo, com textos adaptados dos nossos clássicos.
Com guião seu saíram: A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin, Jorge Dimitrov Herói Internacionalista, História de Macau (que existe também traduzida em chinês), Levem-me nesse sonho, (história da cidade da Amadora), Viva a Republica e Homens sem alma, bem como os restantes títulos que tem como herói “Porto Bomvento”, com 8 volumes já publicados. Assinou ainda os álbuns: Como Apareceu o Medo, texto de Rudyar Kipling, Alves dos Reis, Uma burla à portuguesa e ilustrou o Rio Douro e História dos Barcos Portugueses.
Durante 3 anos ministrou cursos de banda desenhada em Lisboa.
É um pesquisador insatisfeito de temas e motivos para o seu trabalho o que o tem levado a percorrer meio mundo, além de Portugal continental e ilhas.
Tem o seu trabalho traduzido em diversas línguas.

José Ruy
Uma Obra Extensa e Valiosa
É o artista português com maior número de álbuns produzidos (68 álbuns ilustrados, 39 dos quais em histórias aos quadradinhos até meados de 2001), com muitas realizações igualmente no campo da banda desenhada publicitária.
José Ruy Matias Pinto nasceu a 9 de Maio de 1930, na Amadora, tendo sido aluno de Rodrigues Alves na Escola António Arroio, onde tirou o curso de Desenhador Litógrafo. Estreou-se em pequenos fanzines que editou em 1938, e depois, aos nove anos, com um desenho no suplemento de leitores A Abelha, da Colecção de Aventuras.
Começou a publicar histórias aos quadradinhos com apenas catorze anos, em O Papagaio, no Natal de 1944, com uma sequência narrativa ilustrada alusiva ao Presépio. Nessa revista, logo desde o começo de 1945, publicou muitas capas, ilustrações de novelas e histórias aos quadradinhos: "Uma Caçada na Selva", "Piratas do Ar", "Na África Setentrional", "Uma Aventura nas Pampas", "Dickbrad", etc. Trabalhou depois como gráfico para O Mosquito, ocupando-se ainda de legendações e distribuição de cor. Só em 1952, no entanto, teria direito a uma HQ publicada na revista para onde deu tanto do seu trabalho, "O Reino Proibido".
Colaborou graficamente em O Gafanhoto e no Camarada. Fez diversas HQ para o Cavaleiro Andante nos anos 1950, com "O Bobo", "Ubirajara", "A Mensagem", "Gutenberg", "Fernão Mendes Pinto", etc. Com Ezequiel Carradinha, na altura jornalista desportivo no Diário Popular, foi director da 2ª série de O Mosquito, também publicando aí algumas histórias suas, editando ainda nessa altura o seu próprio mini-álbum Infante Dom Henrique (1960).
Publicou HQ em Camarada (2ª série), Pisca-Pisca, Mundo de Aventuras (2ª série, também chamada 5ª série), BDN (suplemento do Diário de Notícias), deixando traços da sua passagem em quase todas as revistas infantis contemporâneas.

Participou no primeiro dos álbuns colectivos Grandes Portugueses (1962), editado pelo Camarada. Em 1972, o jornal A Capital (2ª série) deu à estampa "As Aventuras de 4 Lusitanos e Uma Porca", com argumento de Paulo Madeira Rodrigues. Encontra-se a sua colaboração em Jornal da BD, Tintin, Spirou (2ª série), Selecções BD, etc.
Durante três anos ilustrou um ABC Criminal acompanhando textos de Artur Varatojo, em O Século Ilustrado e na revista Crime (de que foi também paginador), série mais tarde publicada em álbum.
Executou A História da Cruz Vermelha (folheto com edição internacional em várias línguas para distribuição em 150 países, a partir de 1985). As Edições Asa publicaram vários álbuns seus — nomeadamente a série das Aventuras de Porto Bomvento —, como o fizeram a Editorial Futura, a Editorial Caminho, a Meribérica e, mais recentemente, a Âncora, em reedições ou com histórias novas.
[...] Na Editorial Notícias, publicou adaptações de Os Lusíadas, sob a forma de três álbuns utilizando o texto original, de Autos de Gil Vicente, de contos de Rudyard Kipling, etc.
Foi um dos participantes na BD colectiva "Maria Jornalista", com duas pranchas por autor, no Notícias Magazine do Diário de Notícias e Jornal de Notícias de 9 de Janeiro a 13 de Março de 1994.
Realizou em álbum as histórias de diversas municipalidades ou instituições, com os seus respectivos apoios, por vezes com edições simultâneas em línguas estrangeiras: História de Macau (1989), Levem-me Nesse Sonho (1992), com a história da Amadora que teve nova versão actualizada na Âncora Editora (1999), O Juiz de Soajo, A Casa e o Infante (1996), Sintra: O Encantado Monte da Lua (1997), Nascida das Águas (1999), Almeida Garrett e a Cidade Invicta (1999), etc. Em Nicolau Coelho: Um Capitão dos Descobrimentos (1997), contava com a inesperada presença dos potenciais críticos Ramalhão e Lameiroso, o que bastaria para constituir um clássico...
Colaborou na 2ª série de Selecções BD, em 1999, e para essa editoara realizou em 2000 a sua visão da Operação Óscar: Outra Maneira de Contar o 25 de Abril. Ilustrou várias dezenas de livros e também colaborou nas publicações Mundo Feminino (1947), Almanaque Alentejano, Almanaque do Algarve (1948), Humanidade, Selecções de Mecânica Popular, Mama Sume (estas duas também com histórias aos quadradinhos), Diário de Notícias, etc. Tem ainda mantido uma intensa actividade de divulgação da banda desenhada, com artigos sobre o tema (nomeadamente no suplemento Recordar O Mosquito, da revista Carácter - Artes Gráficas), muitas conferências e outros encontros sobretudo junto de escolas, bibliotecas e museus em todo o país.
[...] As HQ que elaborou ao longo de décadas obtiveram agrado e simpatia. Foi objecto da monografia José Ruy: Riscos do Natural, editada na colecção NonArte do CNBDI, em Outubro de 2001.
Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal por Leonardo De Sá e António Dias de Deus
© 2001

Mestre JOSÉ RUY NA GALERIA ARTUR BUAL
Em busca da verdade das coisas
Publicou a primeira história aos quadradinhos aos 14 anos, mas começou a fazer fanzines aos oito. Simples na forma de estar, mas rigoroso até à exaustão de pormenor no trabalho que executa, é assim que encontramos José Ruy, "um duplo amador" que bem pode dizer-se em actividade há seis décadas e uma das poucas unanimidades da banda desenhada lusitana.
Nasceu na Amadora, em 9 de Maio de 1930, e aqui vive desde sempre, à excepção de um período de poucos anos que passou em Lisboa, onde estudou, em Belas Artes e na António Arroio, onde concluiu o Curso de Artes Gráficas. Tem publicados 34 álbuns de banda desenhada, sem contar com as centenhas de histórias aos quadradinhos que publicou no Papagaio, n'O Mosquito e no Cavaleiro Andante. Tem uma simplicidade do tamanho do mundo e chama-se José Ruy.
Foi ele foi o primeiro autor a receber o Troféu Zé Pacóvio e Grilinho de Honra, na edição um do Festival Internacional de BD da Amadora, em 1990. Mas já antes disso já a sua obra estava suficientemente divulgada. E produtiva, também. Foi a sua adaptação para bd da Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, o impulso primeiro que levou Fausto Bordalo Dias, ainda na infância, a interessar-se pela obra original - que, por sua vez, veio a inspirar o músico para a construção desse incomparável trabalho musical e poético que é Por Este Rio Acima.
"Fiquei muito contente quando o Fausto disse que a 'minha' Peregrinação lhe tinha despertado o interesse para o livro de Mendes Pinto. É gratificante ver a projecção e a utilidade que estas coisas podem ter", diz José Ruy, naquele seu jeito humilde que lhe é característico. Como quando conta o modo como, desde a mais tenra idade, se sentiu atraído pelos "bonecos":
"Aos oito anos já tinha aquilo a que hoje se chama um fanzine, exemplar único, que circulava pela minha família e amigos que, para o lerem, tinham que pagar meio tostão", diz. "Mais tarde, por volta dos dez anos, tive um jornalzito feito em copiógrafo que o António Cardoso Lopes [o Tiotónio, director d'O Mosquito e autor das personagens Zé Pacóvio e Grilinho, que dão nome aos troféus anuais do Festival da Amadora] me ensinou a fazer. Era mais completo e vendido também a meio tostão.", já em litografia, pelos 12 ou 13 anos, quando já andava na António Arroio". Assim: "Um dia fui à Litografia Sales e vi lá umas pedras, restos de pedras amontoados aos bocados. Perguntei se mos davam e, com aquilo, fiz um fanzine com preto e uma cor litografada, que chegava a ter 30 ou 50 exemplares. Isto no número 1, porque o número 2 ficou-se pela capa."

O princípio da profissão
A rápida extinção deste derradeiro fanzine de José Ruy ficou, porém, a dever-se a uma boa causa: nessa altura entra para a equipa do Papagaio, onde publicou a primeira história, aos 14 anos. "Chamava-se 'O Reino Proibido', passada em África, com caçadores e animais", lembra o desenhador. Como não conhecia África, José Ruy utilizou arranjou maneira de fazer um cartaz para o Jardim Zoológico que lhe valeu um livre-trânsito:
"Assim, podia lá ir quando queria, mesmo antes das bilheteiras estarem abertas, e desta forma pude fazer um estudo dos animais e dos seus comportamentos, desde manhã até à noite. Estudava e apontava todas as atitudes dos diferentes animais, os seus ambientes, os seus movimentos. Fiz milhares de desenhos desses animais, que agora foram doados ao Centro [Nacional de Banda Desenhada e Imagem, recentemente aberto ao público, mas ainda sem inauguração oficial]."
Para tanto, José Ruy tinha de conciliar as idas ao Zoo com os estudos e o seu trabalho n'O Mosquito, onde trabalhou com Cardoso Lopes e conheceu Eduardo Teixeira Coelho, dois mestres com quem humildemente confessa ter aprendido bastante. Desse tempo ficou, também, definido o método de trabalho preferido de José Ruy: os apontamentos que constantemente debita no bloco notas que o acompanha para onde quer que vá:
"Estou sempre a apontar, muitas vezes mesmo sem nenhum objectivo concreto, mas porque penso que, mais tarde, este ou aquele apontamento me pode ser útil", revela. "Agora estou a fazer uma história sobre o Soajo [freguesia próxima de Arcos de Valdevez] e, para isso, vou lá várias vezes. Apontei o que pude sobre as casas, as pessoas, os apetrechos que utilizam. Até um episódio de pancada a que assisti..."
Ainda hoje José Ruy gosta de utilizar modelos reais para as suas criações. Mas, ao contrário do que por vezes possa pensar-se, não tem uma vida sedentária: "Estou 20 por cento do meu tempo ao estirador e o resto ando na rua, a tirar apontamentos, porque é aí que vamos buscar a verdade das coisas", diz.
Temas históricos
Os temas históricos são uma constante na obra de mestre José Ruy. Desde a já citada Peregrinação à adaptação de Os Lusíadas, passando pela história de lugares como a Amadora (Levem-me nesse sonho, já em segunda edição actualizada), o Soajo, Sintra, Macau, José Ruy já escreveu sobre meia realidade. A Casa do Infante, do Porto, o Mosteiro do Pombeiro, em Felgueiras, ou a Cruz Vermelha foram também temas a que José Ruy dedicou histórias aos quadradinhos. Por curiosidade, anote-se que a História da Cruz Vermelha já foi traduzida e editada em 11 países num total que deve utrapassar o meio milhão de exemplares.
A ligação de José Ruy à História desenvolveu-se quando foi trabalhar para o Cavaleiro Andante: "Nessa altura, o jornal era composto quase só por colaborações estrangeiras, da linha franco-belga. Só com a chegada do Eduardo Teixeira Coelho é que começou a haver maior colaboradores portugueses, como o José Garcês. Então levantou-se um problema: os nossos jornais estavam a divulgar a cultura estrangeira e se nós fossemos atrás deles estaríamos a deixar-nos colonizar - como está a acontecer agora, com as telenovelas brasileiras e a música anglo-americana." José Ruy e os seus companheiros reflectiram sobre este problema e concluíram que tinham que fazer "coisas nossas".
"Ainda fiz uma história de cowboys, mas era uma história em segunda mão", conta. "Assim começámos a fazer coisas portuguesas, baseadas na nossa história e na nossa literatura. Fiz uma história sobre os Lusitanos, baseado num texto de Aquilino Ribeiro, 'Os avós dos nossos avós', depois fiz 'O Bobo', sobre o romance de Alexandre Herculano, depois a 'Peregrinação'. E outras coisas. A partir de certa altura a maioria das editoras começaram a querer temas históricos e recorriam a mim, ao José Garcês, ao ETCoelho, ao Vítor Péon... Preferiam-nos aos mais jovens, porque como já tínhamos a 'rodagem' feita, em princípio era-nos mais fácil pelo conhecimento que fomos adquirindo."
Da dificuldade de viver da BD
Perante o actual panorama da banda desenhada portuguesa, José Ruy não se mostra pessimista, mas também não reage com grande entusiasmo: "Hoje, a BD de ficção está um bocado limitada, porque temos BD muito boa vinda de fora e não temos assim tantos argumentistas capazes", diz. "Mas só não os temos porque o resultado monetário desta actividade não é suficiente. Uma história, para vingar cá, tem de ser tão boa ou melhor do que as que vêm lá de fora."
A saída para esta situação, diz José Ruy, "é fazer coisas que não possam vir de fora". E isso passa pelas histórias de cidades, feitas por regra por encomenda dos municípios ou em parceria entre as editoras e as autarquias. Foi o que aconteceu com a história da Amadora, que "está a ser distribuída pelos cachopos que vêm visitar o Festival".
E o mesmo sucederá com as histórias do Soajo (editada em quatro línguas, pensando na emigração e no turismo), de Sintra (idem), ou da recentemente publicada história de Almeida Garrett, feita para assinalar os 300 anos do nascimento do escritor - feita por encomenda do Centro Histórico do Porto e que "tem bastante incidência no cerco Porto e em D. Pedro IV, que era um ano mais novo do que Garrett". Nos seus trabalhos mais recentes contam-se uma história das Caldas da Rainha e, em fase de ultimação, uma história de Pero da Covilhã e outra sobre o 25 de Abril, a ser editada por ocasião das celebração da Revolução dos Cravos no ano 2000.
Com bastante trabalho em carteira, nem por isso José Ruy se tornou um homem rico. Mas também não é isso que o preocupa porque, como ele diz, quem quer trabalhar em banda desenhada tem que ter uma "filosofia de vida" muito própria. E que, no seu caso, se traduz nesta pequena máxima: "Não trabalho para ter um nível de vida, tenho um nível de vida condizente com o meu trabalho". E isso é difícil? José Ruy não se queixa: "Tenho conseguido porque tenho um trabalho que é feito continuamente. E além disso não tenho grandes vícios: não fumo, não bebo..."

Divulgação e autorias
Outra das vertentes da actividade de José Ruy é a visita a estabelecimentos de ensino (já esteve em mais de 250 em todo o país) onde explica alguns segredos do seu trabalho: "Através de diapositivos mostro como faço as coisas, os modelos a posar, tudo isso", conta. "Nesses contactos há normalmente um certo pasmo, principalmente dos professores, que não faziam ideia de como trabalho."
Para José Ruy, as novas tecnologias não são motivo de receio. Exemplo disso é a recente edição do videograma "A Jóia do Vale", sobre o Mosteiro de Felgueiras, que veio dar outro impulso à procura do livro.
"Eu sou defensor de que o avanço das tecnologias não implica acabar com outras coisas", afirma. "Pelo contrário, penso que umas e outras se podem apoiar entre si." Por isso não crê nos que dizem que "o livro vai desaparecer". Pelo menos não da sua biblioteca: "Tenho muitos livros de marinharia antiga, de história, sei lá... E recorro muito a pessoas que sabem e até a outros elementos. Tenho em casa uma maquete de uma caravela, que arranjei para as histórias do 'Bomvento' [série de oito álbuns sobre a época das descobertas]. E outras, de uma nau e de barcos chineses."
Macau foi, como atrás ficou dito, um dos temas abordados pelo desenhador. A história foi já editada em cantonense, para que a relação luso-chinesa de cinco séculos, documentada em BD, possa também ser lida pelos chineses.
"Para mim é indispensável estudar o mais possível nos sítios aquilo que quero fazer", diz José Ruy. "Estive em Macau, apanhando toda a documentação que pude. Isto é fundamental para que as pessoas se reconheçam e reconheçam os seus lugares."
Como a generalidade dos autores portugueses, José Ruy trabalha geralmente sozinho, embora já tenha feito histórias em co-autoria com argumentistas: "No Papagaio até cheguei a escrever uns contos que também ilustrava", lembra. "Eu gosto de ficcionar, ir para um castelo e ver o que podia ter acontecido. Mas fiz algumas com argumentistas. Fiz, por exemplo, a história de Alves dos Reis com o Alexandre Honrado. E fiz, com o João Paulo Madeira Rodrigues, uma coisa a que chamámos 'Aventuras de quatro lusitanos e uma porca'. Era uma espécie de 'Astérix português' que saiu em 72, durante seis meses, no suplemento 'Cena 7' d'A Capital."
Lusitansos e outros bichos
José Ruy diverte-se, mas sem saudade, a recordar esse tempo em que era necessário fazer "leituras subreptícias" das coisas que se publicavam nos jornais, por via da Censura em vigor. "Os censores não eram sempre os mesmos e, como eram bonecos, não se preocupavam muito, pensavam que era para miúdos", diz. Mas, ainda assim, era arriscado criar uma história que tinha como principais personagens um Lusibanco, "o tipo que tinha inventado a moeda padrão corrente, que era a moeda flutuante", um Lusido, que personificava um soldadinho algures entre o jovem lusito da Mocidade Portuguesa e o velho legionário do regime então em vigor, e, claro está, um Lusitanso, "um Zé Povinho revisitado".
E havia quem se espantasse: como é que aquilo passava na Censura? Pois se a história até falava de "um Algarve todo ocupado por estrangeiros" onde havia "um castro que se chamava Torre Alta" e as referências ao "ultra-rio" eram sinais óbvios daquilo que realmente se queria dizer.
"As críticas só resultavam a brincar. Íamos inventando coisas e, através delas, dizendo nas entrelinhas a realidade que se vivia."
Estas "Aventuras de quatro lusitanos e uma porca" têm, contudo, uma breve história e alguns episódios que vale a pena conhecer. "Tudo aconteceu porque eu trabalhava com o João Paulo Madeira Rodrigues na Editorial Íbis, que entretanto acabou.", conta José Ruy. "A Bertrand convidou-me para lá e, passados uns anos, eu e o João Paulo pensámos na hipótese de fazer a história, mas apresentando-a como se viesse do estrangeiro, para evitar que fosse apreendida. Nessa altura um colega nosso falou ao [Rodolfo] Iriarte, d'A Capital, que resolveu arriscar. E começou a sair."
A partir de meados da história, o divertimento já era absoluto: "O Lusibanco fazia longos discursos, que eram feitos a partir de discursos de Salazar e de Marcelo Caetano. E a Censura nunca descobriu!", diz, a rir. Mesmo assim, houve gags que nunca chegaram a sair.
Não é, repete-se, um tempo de que José Ruy tenha saudades, a não ser, naturalmente as das coisas boas que viveu. Mas gosta mais de falar do presente e do futuro. E, embora esteja do lado dos mais jovens "que hoje têm uma grande participação nas coisas porque as experimentam e isso dá-lhes outro entusiasmo", não deixa de criticar alguns deles pela "ausência de autodisciplina que talvez por falta de escola, às vezes lhes falta".
Esse será, na opinião de José Ruy, um dos problemas que mais interferem na relação entre os autores de BD e os seus editores. Pragmático, afirma que "um editor é um negociante de porta aberta, edita para vender - a não ser que se trate de instituições como a Bedeteca de Lisboa, que editam para divulgar, a fundo perdido. Mas com as editoras não pode ser assim."
E lembra o caso da ASA, do Porto, "que a certa altura tentaram reunir todos os autores de banda desenhada". Conta: "Depois começaram a aparecer os jovens, vinham cheios de entusiasmo, mas depois era necessário aguentar o nível, o ritmo de trabalho. Não tinham estaleca para fazer as coisas nos prazos estabelecidos. E quando a ASA se pôs a fazer contas, tinha uma porção de histórias começadas e não acabadas." Por isso, "há editoras que se queixam de não haver novos valores para publicar".

O ritmo dos jornais
A autodisciplina que José Ruy pratica leva-o a publicar dois álbuns por ano, um em cada seis meses. "Quando estou a acabar um, já estou a pensar noutro", diz. Entretanto vê, revê, estuda, pede opiniões alheias. "Tem que haver a humildade suficiente para saber pedir conselhos a quem sabe aquilo que o público procura. Às vezes, pormenores como a cor da capa são muito importantes."
Para isso, insiste, há que criar um ritmo de trabalho rigoroso, o que não significa necessariamente um sistema rígido: "Durante muitos anos trabalhei na banda desenhada só à noite", conta. "Só há 15 anos comecei a fazer um trabalho com mais desenvolvimento e por isso agora faço os tais dois álbuns por ano." A melhor escola e o seu 'segredo profissional' foram os anos da sua colaboração regular em jornais e revistas: "O ritmo que os jornais exigem do autor tem que ser bem aproveitado."
Aliás, José Ruy sabe que os jornais desde há muito foram o ponto de partida para muitos autores trabalharem em histórias que, mais tarde, são transpostas para álbum. Foi o que aconteceu a autores como Fernando Relvas ou Nuno Saraiva, para José Ruy um exemplo de como é possível tirar um bom partido das situações que a realidade nos impõe.
Com 69 anos e 34 álbuns no activo, José Ruy pretende continuar fiel ao rumo que traçou para si mesmo há seis décadas: "Vamos fazer uma nova edição d'Os Lusíadas, que já vendeu 70 mil exemplares desde 1984", diz. "E vamos tratar de novas edições, provavelmente também em espanhol e em inglês."
Actualmente, a edição de álbuns de BD é uma parte natural da vida de José Ruy. Mas nem sempre foi assim: "Quando quis editar a 'Peregrinação' em álbum não havia praticamente nada de autores portugueses editado. A Maribérica tinha publicado o 'Eternus 9', do Vítor Mesquita, mas foi para dizer que era mais do que uma delegação dos franco-belgas. Mas a verdade é que a 'Peregrinação' estava esgotada ao fim de oito meses."
A paixão dos filmes
Mas a BD não é tudo na vida de José Ruy. Outra paixão são os filmes, mas o que pouca gente sabe é que ele é um cineasta amador de longo curso, com muitas dezenas de "películas" realizadas:
"Quando era miúdo, eu ía muito ao cinema com os meus pais", lembra. "Depois arranjava quadradinhos de filmes que os cinemas punham fora, juntava-os e fazia filminhos com uma 'lanterna mágica'. Mais tarde, já casado, tive a oportunidade de comprar um máquina de 8 milímetros. E ía filmando, nas viagens que fazia, aqui na Amadora. Depois fazia a montagem daquilo tudo, arranjava uma banda sonora à parte, que sincronizava com o filme, que depois passava para a família."
Mais tarde passou ao formato super 8 e, depois, aderiu ao vídeo. Tem imagens do Japão, de Casablanca, de Macau, de toda a Europa. Mas foge sempre ao "documentário familiar", prefere "aquilo que rodeia, as curiosidades." No fundo trata-se de uma outra forma de tirar apontamentos, que depois vem a ser útil nas suas histórias: "Desta maneira captam-se imagens que, de outra forma, nos passariam despercebidos. No ano passado, por exemplo, estive em Bombaim, Goa, Cochim e Delí e fiz uma série de imagens, nomeadamente de um barco de pescadores onde a rede é movimentada com recurso a uma série de contrapesos de pedra. É uma prática de pesaca artesanal, antiquíssima, que ainda se mantém. E essas imagens serviram-me já para a história do Pero Vaz de Caminha."
A Amadora ocupa, naturalmente, um lugar privilegiado na vasta "cinematografia" de José Ruy: "Estou na Amadora desde sempre e tenho umas coisas, sim. Por exemplo uns filmes de quando a minha filha era pequena, feitos na encosta da Mina. Naquela altura ainda não havia aqueles prédios e, dali, via-se a Amadora inteira. Mas isto agora está tudo diferente..."
Entrevista de Viriato Teles
in GrandeAmadora - 1999
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Em busca da verdade das coisas
Publicou a primeira história aos quadradinhos aos 14 anos, mas começou a fazer fanzines aos oito. Simples na forma de estar, mas rigoroso até à exaustão de pormenor no trabalho que executa, é assim que encontramos José Ruy, "um duplo amador" que bem pode dizer-se em actividade há seis décadas e uma das poucas unanimidades da banda desenhada lusitana.
Nasceu na Amadora, em 9 de Maio de 1930, e aqui vive desde sempre, à excepção de um período de poucos anos que passou em Lisboa, onde estudou, em Belas Artes e na António Arroio, onde concluiu o Curso de Artes Gráficas. Tem publicados 34 álbuns de banda desenhada, sem contar com as centenhas de histórias aos quadradinhos que publicou no Papagaio, n'O Mosquito e no Cavaleiro Andante. Tem uma simplicidade do tamanho do mundo e chama-se José Ruy.
Foi ele foi o primeiro autor a receber o Troféu Zé Pacóvio e Grilinho de Honra, na edição um do Festival Internacional de BD da Amadora, em 1990. Mas já antes disso já a sua obra estava suficientemente divulgada. E produtiva, também. Foi a sua adaptação para bd da Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, o impulso primeiro que levou Fausto Bordalo Dias, ainda na infância, a interessar-se pela obra original - que, por sua vez, veio a inspirar o músico para a construção desse incomparável trabalho musical e poético que é Por Este Rio Acima.
"Fiquei muito contente quando o Fausto disse que a 'minha' Peregrinação lhe tinha despertado o interesse para o livro de Mendes Pinto. É gratificante ver a projecção e a utilidade que estas coisas podem ter", diz José Ruy, naquele seu jeito humilde que lhe é característico. Como quando conta o modo como, desde a mais tenra idade, se sentiu atraído pelos "bonecos":
ALBUNS PUBLICADOS
DE J.RUY
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ALBUNS PUBLICADOS
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Paineis criados em 2003/4 para a Escola Básica da Amadora
Escola José Ruy

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Paineis
José Ruy

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José Ruy
Paineis criados em 2003/4 para a Escola Básica da Amadora
Escola José Ruy

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Paineis por José Ruy

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José Ruy ou o grande sentimento desenhado
“A não ser útil o que fazemos,
vã é a glória”
“Era uma vez um menino de 10 anos que foi ao cinema com os pais, assistir à estreia do filme “Pinóquio” de Walt Disney.”Seria desta forma que J.Ruy iniciaria a história da sua dedicação à BD.
Com o deslumbramento estampado na memória, assim reproduziu, a história do Pinóquio em dezenas de pequenos rectângulos com 5 por 6,5 cm/s, livrinho cozido à mão por sua mãe, pérola impar da história da BD em Portugal.
Estávamos em 1940...
Poderá ter sido assim que começou a história criativa de José Ruy, militante activo desta ARTE que, desde há quase 70 anos, “calcorreia” nas avenidas da imaginação, no traço do tempo, na gravação da memória, pegada que fica para sempre, na maneira mais simples de ajudar as gerações vindouras a entenderem o presente, na semente mágica do passado.
Em José Ruy, a BD corre-lhe no sangue através do olhar, na respiração envolvente das personagens da vida.
O reflexo da história do Homem desde o princípio, em pequenos espaços resumindo as marcas da humanidade.
José Ruy virtualiza esse desejo pacientemente, ultrapassando décadas, num encanto de fazer fixar a imagem, com a magnitude de um Mestre, tocando nas cores, nos sons, em histórias inventadas ou reais, em todas as direcções, na compreensão simples, através do movimento compassado dos quadradinhos.
E quando vinha algum aguaceiro sem avisar, lá se borrava o desenho, num tempo em que as esferográficas não tinham sido inventadas.
Quando comunicava com os animais, no Jardim Zoológico de Lisboa, sentindo-os desde o nascer ao fim do dia, desenhando à chuva ou ao sol, no frio e no calor, observando serenamente todos os movimentos
e posições, na aprendizagem mutua das formas racionais, de transmitir a anatomia animal, indo alegrar outros olhares, ávidos de entenderem a proximidade da liberdade dos animais, nas histórias imaginadas há séculos, reproduzidas pacientemente para as pranchas da BD.
- Hoje, vamos aprender a desenhar as orelhas do leão. Para a semana as patas dos antílopes, depois havemos de saber desenhar as trombas dos elefantes – dizia-lhe alguns professores destas artes que aí trocavam experiências de traços na envolvência com os modelos indiferentes ou não a estes visitantes especiais.
Depois de ter “gasto” milhares de lápis e rios de tinta, desde menino quando com 7 anos “fundou o seu primeiro jornal, também chamado “O mosquito”, com um só número, ter convivido e trabalhado com os grandes Mestres das artes plásticas, da “sétima arte” e da BD Portuguesa como, Eduardo Teixeira Coelho, Rodrigues Alves, José Garcez, Leitão de Barros, Domingos Saraiva entre outros, participado em vários “fanzines”, no histórico “Mosquito”, publicação relacionada com a Amadora, sua cidade natal de ter encarnado em imagens, com obras como “ Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto, da história dos nossos Navegadores, como exemplo “Os Lusíadas” do imortal Camões, em que as crianças de todas as idades podem beber de uma maneira didáctica a imagem quase real da palavra, José Ruy percorre desde há muito tempo as escolas de todo o País, contando histórias, suas, dos seus livros de como se faz, e da BD, de olhar atento ao amor e à amizade, tendo já comunicado com milhares de meninos que de olhos esbugalhados, adoradores dos “livros aos quadradinhos” transmitindo através da imagem os sonhos muitas vezes camuflados noutros livros ; na ajuda da matéria, em todas as disciplinas que ficam melhor retidas na memória.
É nesta transposição que José Ruy, de céu aberto nos faz debruçar, na época dos computadores, na rapidez tecnológica sobre o mundo da imagem transmitindo-nos numa coragem de sonho em constante transmutação.
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PINÓQUIO E A SUA CONSCIÊNCIA - VERSÃO INTEGRAL DO LIVRO
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Capa do livrinho Pinóquio feito em 1940, então com 10 anos

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PINÓQUIO E A SUA CONSCIÊNCIA
DESENHADO POR JOSÉ RUY QUANDO TINHA APENAS 10 ANOS.
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